terça-feira, 11 de setembro de 2012

A (Resolução) da Morte: Perspectiva Psicológica


Rómulo Muthemba
Psicólogo Clínico

I.                    Introdução: A morte é uma questão Humana ?
O tema da morte já foi sobejamente discutido ao longo dos tempos e gerações. Foram muitos os filósofos, historiadores, sociólogos, biólogos, antropólogos e psicólogos a discutir o assunto no decorrer da História. A morte não faz parte de uma categoria específica; é uma questão que atravessa a história, é sobretudo uma questão essencialmente humana.

Uma das principais tarefas a realizar perante a morte é a preservação da saúde (mental) dos vivos – fundamentalmente, àqueles que mantiveram e mantêm uma relação com o sujeito falecido.  É  o trabalho de luto.

O  medo provoca uma espécie de distanciamento cada vez maior do homem em relação à morte, criam-se tabus, como se fosse desaconselhável ou até mesmo proibido falar sobre este tema, mesmo sabendo nós que a expressão de sentimentos, nessas ocasiões, é fundamental para o desenvolvimento do processo da perda.

II.                  Buscando  alguns Fundamentos da Psicologia
Revisitamos Bowlby (1970/1997), que sabiamente nos situa em relação às quatro fases do luto que podem contemplar diferenças na intensidade e duração em cada indivíduo, mas que no geral, seguem um padrão básico:
 (1) fase de torpor ou aturdimento, com duração de algumas horas ou semanas, que pode vir acompanhada de manifestações de desespero ou raiva; 
(2) fase de saudade e busca da figura perdida, que

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A 2ª Mostra


A 2ª Mostra
Esta 2ª Mostra de Práticas faz parte das comemorações dos 50 anos da Psicologia como profissão no Brasil. Ela vai ocorrer doze anos depois da 1ª Mostra (Psicologia e Compromisso Social), evento que foi um marco no processo de autoreconhecimento da riqueza, grandeza e diversidade da atuação dos psicólogos brasileiros.

Desta vez a programação irá além da apresentação de práticas profissionais. Haverá espaço para que psicólogas e psicólogos debatam seu trabalho e possam criar articulações para seguir fortalecendo as diferentes áreas em que atuam.

Vamos comemorar os cinquenta anos da Psicologia apresentando e conhecendo a riqueza da contribuição da nossa profissão para o desenvolvimento social.

A 2ª Mostra será um grande espaço de intercâmbio sobre as práticas que estão sendo construídas e validadas todos os dias pelas psicólogas e psicólogos de todo o Brasil.

Para mais informações clica aqui

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Cerimónia do lançamento da 2ª edição Revista PSIQUE



A Revista PSIQUE apresenta-se como um instrumento que possibilitará uma viragem nas relações entre a prática e a teoria, na medida em que permitirá uma constante avaliação das estratégias de actuação dos profissionais.  

A 2ª edição da PSIQUE Foi lançada oficialmente no dia 19 de Julho de 2012 na Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), no âmbito do Seminário Sobre a Interferência da Indústria Tabaqueira realizado pelo Departamento de Saúde Mental.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Medicalização da Vida


Observa-se na sociedade contemporânea uma busca desenfreada por explicações biológicas, fisiológicas e comportamentais que possam dar conta de diversos tipos de sofrimento psíquico, dentre estes, os mais frequentes são a ansiedade, estresse, depressão, síndrome do pânico, transtorno bipolar e fobias.

Todos muito divulgados na mídia através de reportagens e documentários que pretendem ajudar os leigos a identificar os principais sinais e sintomas de seu mal estar, contribuindo assim para que muitos pacientes cheguem ao consultório buscando apenas uma validação da hipótese diagnóstica que obteve através de algum site.

Nesta busca por um alívio imediato dos sintomas, constata-se que cada vez mais pessoas depositam sua confiança em receitas rápidas que possam diminuir o mal estar sem se preocupar em buscar um sentido para este sofrimento. A medicalização da vida e do sofrimento tornou-se uma prática comum e na atualidade tornou-se corriqueiro ir a uma consulta e sair com uma receita em mãos. Segundo Roudinesco (2000) há um pagamento do sujeito, pois seja qual for o sintoma, sempre haverá um

terça-feira, 22 de maio de 2012

Suicídios e Tentativas de Suicídio: A Prevenção Possível!

Rómulo Mutemba
(Psicólogo Clínico)

Introdução
O suicídio é conceptualizado pela OMS (1984) como sendo “um acto de pôr termo à própia vida, com um resultado fatal, que foi deliberadamente iniciado e preparado, com prévio conhecimento do seu resultado final e através do qual o indivíduo pensou fazer o que desejava” (Mário J. R. Santos, 2004, p. 159).

Ora, muitos dos conteúdos patentes nesta definição, parecem realçar o carácter “consciente, premeditado” do suicídio. Contudo, nos casos de algumas perturbações mentais em que o sujeito age por força do própio “condicionamento delirante ou alucinatório” e que o leva a morte, poderemos também considerar sucídio(?). Nos casos de perturbações do fórum depressivo em que sujeito “se arrisca a morrer” na tentativa de “fuga” de um sofrimento intolerável para ele, há enfraquecimento dos mecanismos de tomada de decisão e susceptibilidade para comportamentos suicidas.

O suicídio e tentativa de suicído não podem ser vistos como uma questão “pessoal” ou de direito do cidadão, de decisão do fórum íntimo, como alternativa de felicidade ou fuga ao infurtúrio, uma expressão religiosa, cultural ou ritual, mas sobretudo, devemos encará-lo como um problema de saúde, em que um conjunto de factores leva o indivíduo a cometer o “suicídio” ou a “tentar” suicidar-se.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Medicina Tradicional e a Saúde Mental em Moçambique: (dez) encontros (?)





Rómulo Muthemba
Psicólogo Clínico



Medicina tradicional
Resumo

O presente ensaio pretende colocar em diálogo criativo e transformador duas realidades essenciais para a saúde: a medicina tradicional e a saúde mental. Deste modo, ambicionamos tirar ilações sobre as suas vicissitudes e complementaridades, de forma a reduzir o fosso existente  e  que  não  contribui  para  uma  abordagem comunicativa entre dois mundos próximos, mas também distantes.
 Numa primeira abordagem tentámos contextualizar e situar as duas realidades, definindo o seu campo de acção e métodos. 

Posteriormente, ousámos confrontar em diálogo as duas realidades, dando ênfase não aos aspectos meramente consensuais, mas àqueles que os problematizam e os dividem... é nesta experiência de comunicação que encontrámos alguns subsídios para exteriorizar o nosso pensamento, imaginário estimulado pelas constatações e discussões  permanentes  entre  o  que  é  da  ordem  do interno  e  o  externo,  objectivo  e  subjectivo  –  tentámos assim contribuir, através de uma reflexão aberta para uma melhor compreensão da subjectividade e elasticidade do psiquismo do ser humano. 

Subjectividade que deve ser abordada como tal, respeitando a sua natureza e complexidade, e não com determinismos científicos, culturais ou espirituais – mas sim num reconhecimento baseado no encontro e comunicação permanentes.

Fazemo-lo com a perspectiva de que os factores socioculturais exercem uma influência decisiva, nalguns casos na incidência, noutros na patologia das perturbações mentais e do

domingo, 6 de maio de 2012

Normas de Submissão de artigos e instruções aos autores


A submissão de artigos para publicação na Revista PSIQUE, pode ser feita por qualquer cidadão que seja interessado na pesquisa, devendo para o efeito seguir as normas estabelecidas bem como as instruções aos autores que se encontram em anexo. As normas e as instruções aos autores foram elaboradas para permitir uma uniformidade na estrutura dos artigos publicados na PSIQUE, criando igualmente um estilo e característica própria sem no entanto fugir as normas científicas. 

Encontre as normas de submissão de artigos e instruções aos autores nos links a baixo